O Grupo de Trabalho de Estudos Fílmicos do CIAC – Centro de Investigação em Artes e Comunicação da Universidade do Algarve organiza anualmente o Colóquio Internacional Cinemas do Mediterrâneo com o objetivo de promover o diálogo intercultural e estimular a troca de conhecimentos e a criação de parcerias tendo em vista a investigação do cinema nos países mediterrânicos, numa perspectiva interdisciplinar e multidisciplinar.

Dado a enorme importância socioeconómica e cultural das indústrias turística e cinematográfica nos países mediterrânicos,  e o impacto do cinema na criação de fluxos turísticos, a 3ª edição deste colóquio tem como tema principal a relação entre o cinema e o turismo. 

O evento, que  se realiza nos dias 15 e 16 de maio, terá lugar no auditório da ESGHT e no auditório 1.4 do Complexo Pedagógico do Campus da Penha, Universidade do Algarve, e conta com a participação de oradores convidados do Reino Unido, Espanha, Itália, EUA, Brasil e Portugal.


Keynotes

Francisco Teixeira Pinto – Instituto Politécnico de Leiria/CITUR
Turismo cinematográfico: entre o sonho e a realidade

É possível descrever a indústria cinematográfica como a máquina de induzir sonhos. E sonhar é o último reduto da liberdade. Ninguém pode prender o sonho e nele é possível voar para qualquer lado, ser outro e fazer o que se deseja. O imaginário, que é a base socio-antropológica do turismo, nutre-se de sonhos: a plenitude, a felicidade… a busca do paraíso num alhures… Por isso, os sonhos de viagens podem ser municiados por imagens e enredos cinematográficos, sendo esta a faceta mais evidente da relação cinema-turismo. É por este motivo que os estudos sobre turismo cinematográfico tendem a absolutizar um único tópico: o impacto do cinema na visitação a lugares, ignorando uma outra importante faceta da relação cinema-turismo: os impactos diretos, indiretos e induzidos do cinema durante as filmagens, nos territórios onde os filmes são rodados. Na presente comunicação serão colocados lado a lado os dois tipos de impacto, designando-os como “efeito NETFLIX” e “efeito TITANIC”, respetivamente. E a conclusão parece ser bastante óbvia: os impactos do cinema no turismo começam a montante, logo na fase da elaboração do guião, e só terminam quando o filme se extingue por completo da memória coletiva, por vezes muito depois de ter saído dos ecrãs.

Francisco Dias é doutorado em Ciências do Turismo pela Universidade de Perpignan. Antes fez um mestrado em Neuropsicologia na Universidade Estatal de Moscovo, e outro mestrado em Psicologia Social, na Universidade do Porto. É professor coordenador no Politécnico de Leiria. De 2010 a 2013, foi diretor da GITUR – Unidade de Investigação em Turismo do IPL. Em 2010 fundou e tornou-se o primeiro editor-chefe do European Journal of Tourism, Hospitality and Recreation (EJTHR) até 2015. Foi também o fundador e o primeiro Presidente da EATSA – Euro-Asia Tourism Studies Association. Os seus estudos empíricos abrangem um vasto âmbito do turismo, principalmente os seus aspetos psicológicos e sociológicos – imaginário, representações sociais, imagem do destino, motivação, qualidade percecionada – mas também vários aspetos da gestão do destino.

Para além das funções académicas, criou e lidera dois projetos inovadores, de baixo custo e alto impacto, com o objetivo de aproximar as indústrias do audiovisual e do turismo, nomeadamente: o ART&TUR – Festival Internacional de Cinema de Turismo, um fórum de relevância mundial; e a Centro de Portugal Film Commission, de que é vice-presidente.

Tim Bergfelder – University of Southampton/UK
What film studio history can teach us about architecture, technological innovation, and workspaces

Com base na minha investigação no projeto colaborativo de cinco anos financiado pelo ERC, STUDIOTEC: Infraestruturas, Cultura e Inovação dos Estúdios de Cinema na Grã-Bretanha, França, Alemanha e Itália 1930-60, esta palestra aborda a nova viragem na história do cinema em direção ao estudo dos estúdios cinematográficos. Ao contrário da investigação anterior, que utilizava o termo “estúdio” de forma intercambiável com a história das produtoras e dos seus produtos (os filmes), a nova abordagem consiste em conceber os estúdios como espaços físicos concretos com uma história própria, organização interna, desenvolvimento e uma relação específica com os ambientes locais, regionais e nacionais onde estão inseridos. Alguns estúdios de cinema ainda existentes nos EUA e, em menor grau, na Europa, encontraram uma segunda vida ou uma função subsidiária como atrações turísticas. Estúdios como Babelsberg, na Alemanha, e Cinecittà, em Itália, tornaram-se emblemas nacionais. Mas muitos estúdios do século XX desapareceram ou foram reconvertidos – da mesma forma que eles próprios, por vezes, adaptaram edifícios que anteriormente serviam outras funções antes de se tornarem estúdios (como aeroportos, fábricas ou laboratórios de investigação). Nesses casos, a abordagem à história dos estúdios assume uma dimensão reconstrutiva e arqueológica. Nesta apresentação, reflito sobre alguns dos desafios envolvidos no projeto e as descobertas feitas pela equipa de investigação.

Tim Bergfelder is Professor of Film Studies at the University of Southampton (UK). He is co-editor of the journal Screen, and series editor of Berghahn’s Film Europa book series, and of the Palgrave series European Film and Media Studies. He is co-author of the forthcoming book Film Studios in Britain, France, Germany and Italy. Architecture, Innovation, Labour, Politics, 1930–1960; London: BFI/Bloomsbury (2026). Previous publications as author, editor, and co-editor include “EXIL SHANGHAI as Audio-Visual Archive and Cross-Cultural Collage.” In: Angela McRobbie (ed.), Ulrike Ottinger. Film, Art and the Ethnographic Imagination (Bristol: Intellect 2024); The German Cinema Book (second edition, London; BFI 2020); “Popular European Cinema in the 2000s: Cinephilia, Genre and Heritage,” in Mary Harrod, Mariana Liz, and Alissa Timoshkina (eds.), The Europeanness of European Cinema. Identity, Meaning, Globalization, London and New York: I.B. Tauris 2015; Destination London: German-speaking émigrés and British Cinema, 1925–1950 (Oxford and New York: Berghahn 2008); Film Architecture and the Transnational Imagination: Set Design in 1930s European Cinema (Amsterdam: Amsterdam University Press 2007); International Adventures. Popular German Cinema and European Co-Productions in the 1960s (Oxford and New York: Berghahn 2005).

Oradores Convidados

Sofia Sampaio Instituto de Ciências Sociais, Universidade de Lisboa

Portugal Desconhecido (1969): Cinema, turismo, intermedialidade e o projecto marcelista de “renovação na continuidade”

Hugo Barreira – FLUP-CITCEM

Touriste avant la lettre: o Porto visitado e construído pela Invicta Film

Susana Araújo Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra/CEComp da Universidade de Lisboa

A França de Michael Haneke e o terror(ismo) de Hidden (2005)

Luca Fazzini CEComp/FLUL

Outros passos nas rotas do império. Cavalo Dinheiro (2014), de Pedro Costa, e Maremoto (2021), de Djaimilia Pereira de Almeida

Diana Díaz González Universidade de Oviedo
Josep Lluís i Falcó Universitat de Barcelona

Das telas ao gira-discos: o percurso das músicas de Marcelino, pão e vinho nos países mediterrânicos

Painel: Estudos Fílmicos na Universidade de Wilmington, Carolina do Norte, USA

Stefani Byrd UNCW: University of North Carolina Wilmington

Here There: (Re)Collecting Labor on the American Railways

Chip Hackler UNCW: University of North Carolina Wilmington

A Picture’s Worth a Thousand Films

Lani Akande UNCW: University of North Carolina Wilmington

Re-imagining Film Studies: Decolonial African Approaches


Programa e inscrições

Programa

Livro de resumos

Formulário de inscrição


Organização

Coordenação do CIAC

Bruno Mendes da Silva

Mirian Tavares

Comissão Científica

Alexandra Rodrigues Gonçalves

Ana Isabel Soares

António Costa Valente

Bruno Mendes da Silva

Hugo Barreira

Jorge Carrega

Mirian Tavares

Sara Vitorino Fernandez

Silvia Quinteiro

Stefano Baschiera

Tim Bergfelder

Tim Palmer

Comissão Organizadora

Jorge Carrega (Coordenação)

Alexandra Rodrigues Gonçalves

Alexandre Martins

Hugo Barreira

João Carlos Firmino Carvalho

Patrícia Dourado

Sara Vitorino Fernandez

Sílvia Quinteiro

Tim Palmer

Comissão de Comunicação e Logística

Alejandro César Sierraalta Ramírez

Guilherme Felisberto

João Paulo Cunha

Josué Guedes

Juan Manuel Escribano Loza


Este evento é financiado por fundos nacionais através da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I.P., no âmbito do projeto «UID/04019: Centro de Investigação em Artes e Comunicação»

Esta publicação também está disponível em: Inglês