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Investigadora do CIAC Juli Wexel colabora com três instalações artísticas de vulva art e média-arte digital para o Sex Museum Portugal


A convite do Sex Museum Portugal, no Porto, a artista multimédia, doutora em Média-Arte Digital (UAlg-UAb-DMAD) e investigadora do CIAC Juli Wexel criou em maio de 2026 That’s VULVA: ivagination II (2026), uma instalação site-specific exclusiva e permanente no espaço do museu. Em julho, o Sex Museum inaugurou duas novas instalações audiovisuais permanentes da artista: shortdoc ivagination (2020) e a obra de videoarte meta_SQUIRT (2023-2026).

That’s VULVA: ivagination II (2026) é uma adaptação interativa da sua “desinstalação” computacional efémera original ivagination (Lisboa, 2020), realizada na residência da artista em Lisboa. Em ambas as criações, o clitóris é acionado pelo fluxo do público como um gesto-tributo à função única do órgão sexual de gerar prazer. That’s VULVA: ivagination II é o quarto artefacto em média-arte feminista no percurso da artista ítalo-brasileira, que associa a pesquisa baseada na prática artística especulativa ao desenvolvimento da sua teoria doutoral sobre o movimento global vulva art (arte da vulva). Na atual quarta vaga (onda) feminista (2012–), artistas da corrente vulva art centram-se na genitália feminina como objeto de representação visual, imagética, performativa e narrativa em discursos estéticos de desconstrução de noções patriarcais e temáticas tabu sobre subjetividades binárias e não binárias, anatomia vulvar, prazer, erotismo, orgasmo, masturbação, menstruação e reprodução em iconografias vulvares e clitorianas interseccionais que abrangem corpos cisgénero, transgénero e intergénero. Na sua tese doutoral VULVA É MÍDIA: Vulva art, Vulvartivismo e Média-arte digital (2025), Juli Wexel introduz os conceitos inéditos de vulvartivismo, o artivismo da vulva — segmento de arte insurgente e engajada de obras que celebram temas como a diversidade vulvar — e clitartivismo, categoria do vulvartivismo centrada no clitóris como objeto de representação na clitoris art ou clit art (arte do clitóris). A tese foi orientada pelo professor Bruno Mendes da Silva, coordenador do CIAC, e co-orientada pela professora Mirian Tavares, vice-coordenadora do Centro.

A instalação do short doc ivagination (2020) foi curada ao lado da obra That’s VULVA: ivagination II (2026) no espaço do Sex Museum. O short doc ivagination (2020), homônimo à des-instalação ivagination (2020), é um spin-off ou obra artística derivada da original que documenta seu processo de criação e comunica de modo ativo, sistematizado e ilustrativo, o conceito da experiência artística original em vulva art: numa sociedade onde a genitália feminina é desejada e adorada, ao mesmo tempo em que é desrespeitada, objetificada, oprimida, violentada e mutilada, ivagination torna-se um espaço de celebração e interação sem tabus. No registro audiovisual, Juli Wexel reflete sobre o tema central da obra e expõe o cunho íntimo de episódios que incitaram o seu desejo de retratar a genitália feminina de forma sensorial. A criação de ivagination deflagrou a investigação artístico-acadêmica da autora acerca do movimento vulva art.

A desinstalação ivagination (2020) integrou a exposição Re>>connecting do evento ONLINE 2020 no 8º Retiro Doutoral em Média-Arte Digital (DMAD) da Universidade do Algarve em colaboração com a Universidade Aberta de Lisboa (UAlg-UAb), curada coletivamente por nove criativos que desenvolveram artefatos computacionais desde o Brasil, Portugal, Moçambique, Indonésia e China. O documentário exibe, assim, a experiência de fruição do público que participou da vernissage Off Re>>connecting, em 4 de julho de 2020. A des-instalação computacional ivagination foi utilizada como cenário para a peça autoral Esperando Godette, selecionada e financiada pelo Ciclo de Teatro e Artes Performativas Mimesis da 2020, promovido pela Reitoria da Universidade de Coimbra entre 15 setembro a 2 de outubro de 2020. A peça online foi também exibida no Fair Saturday Festival, de 28 de novembro até 31 de dezembro de 2020, em apoio à ASAS-ACADEMIA SÉNIOR PARA IDOSOS (ANGES) de Lisboa.

O short doc ivagination ivagination (6’16” / 16:9) foi produzido ao longo de três dias de filmagens, incluindo o making-of da montagem da desinstalação. O seu registo foi concebido na modalidade collab com a produtora Plata o Plomo Duo (atual Tartarugas e Crocodilos), sediada em Lisboa, com direção de fotografia de Maurício Franco, edição e sound design de Filipe Traslatti de Mello e produção de Carine Panigaz. O documentário mantém-se um relevante instrumento vulvartivista que oferece uma comunicação continuada com o público, transcendendo a efemeridade da instalação física original. O short doc ivagination foi exibido em 20 de março de 2026 na sessão Vivas nos queremos produzida pelo Levante Cultural Produções (@levanteculturalproduções) na Biblioteca de Alcântara, em Lisboa, e teve sua estreia in loco no espaço expositivo do ARTeFACTo 2020 International Conference on Digital Creation in Arts and Communication na UAlg. O audiovisual ivagination (2020) está também disponível na plataforma científico-artística da Revista Climacom-LabJor da Universidade de Campinas (UNICAMP, Brasil) no Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=sZPR0t1C0E4.

Já na videoarte meta_SQUIRT (2023-2026), Juli Wexel convoca a atmosfera ciberfeminista dos anos 1990 e a vibrante estética neon numa narrativa visual que constrói uma iconografia vulvar anatômica, poética e não-pornográfica. A obra subverte a cultura da sexualidade patriarcal ao elevar o gozo e a ejaculação feminina à categoria de manifesto estético e político. Esta versão exclusiva para o Sex Museum desafia as fronteiras físicas e conceituais da arte digital contemporânea. A instalação é composta por videoanimações 3D elaboradas através da metacriatividade entre a intencionalidade humana e a Inteligência Artificial Generativa. O algoritmo de deep learning atua como um motor alquímico, operando as figuras de linguagem da metáfora e da metamorfose em sua própria sintaxe computacional. A tecnologia generativa Web 3.0 é utilizada de forma crítica – não apenas como ferramenta – bem como entidade co-criadora da obra no intuito da desconstrução de estereótipos de gênero. Elementos nativos da mítica Fonte Aretusa, em Ortigia (Sicília, Itália), transmutam-se de forma contínua e fluida em metáforas sexuais e na morfologia da genitália feminina, criando um discurso de vulva art: o papiro histórico (Cyperus papyrus) transforma-se numa “Cyperus-vulva” e a anatomia do clitóris — a estrutura mais importante para o prazer dos corpos com vulva — revela a sua forma ao evocar os patos da fonte mitológica italiana. A transformação ininterrupta destas figuras — como a silhueta clitoriana que ecoa as aves migratórias — cria uma metalinguagem visual inédita. Nesse fluxo, a mecânica dos fluidos do squirt ou squirting (ejaculação feminina) é poeticamente associada ao empuxo hidrostático de Arquimedes e representada no exato momento em que a água doce da Fonte Aretusa encontra a água salgada do mar, equiparando a água do prazer feminino à própria água da vida. A videoarte meta_SQUIRT (7’39” / 1:1) é um experimento especulativo de Investigação Feminista em Média-Arte Digital, inspirado na experiência nômade da artista ao viver na ilha de Ortigia entre os anos de 2022 e 2023. A obra é, em essência, a retomada definitiva do território corporal, onde o mito greco-romano ancestral da ninfa Aretusa e o futuro cibernético convergem para celebrar a soberania absoluta do desejo feminino. A música incidental de meta_SQUIRT foi produzida em parceria com Mad Lab Sound Studio (Vila Nova de Gaia, Portugal).

That’s VULVA: ivagination II (2026), short doc ivagination (2020) e meta_SQUIRT (2023-2026) alinham-se com os indicadores do objetivo 5 da Agenda 2030 da ONU de Equidade de Género no acesso a tecnologias e informação de base e no combate à violência sexual, como a Mutilação Genital Feminina (MGF). As três instalações são uma doação da artista ao Sex Museum Portugal como agradecimento à República Portuguesa pelo apoio financeiro oriundo da Bolsa de Pesquisa UI/BD/150845/2021 do Projeto UIDP/04019/2020 no âmbito do Protocolo de Colaboração para Financiamento do Plano Plurianual de Bolsas de Investigação para Estudantes de Doutoramento, celebrado entre a Fundação para a Ciência e a Tecnologia de Portugal (FCT) e a Unidade de I&D Centro de Investigação em Artes e Comunicação (CIAC) da Universidade do Algarve, em Faro, circunscrita no Doutoramento em Média-Arte Digital-DMAD e em cooperação com a Universidade Aberta de Lisboa.

O Sex Museum Portugal abre diariamente das 10h às 19h. Informações no site sexmuseumportugal.com.

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