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Nova edição da revista Rhinocervs tem investigadoras do CIAC como editoras convidadas


Mirian Tavares, vice-coordenadora, e Maria Jesús Botana Vilar, investigadora do CIAC, são as editoras convidadas da mais recente edição da revista Rhinocervs – Cinema, Dança, MúsicaTeatro (Vol. 3, N.º 1, 2026).

Com o tema “Arte no feminino – uma história fragmentada”, este dossiê parte da constatação de que a história da arte foi construída, durante séculos, a partir de narrativas que marginalizaram ou invisibilizaram a produção artística das mulheres. Embora as últimas décadas tenham assistido a uma crescente valorização das artistas e ao desenvolvimento dos estudos feministas no campo da arte, persistem desigualdades nos processos de legitimação, representação e construção da memória cultural. Os artigos reunidos nesta edição propõem uma revisão crítica dessas narrativas, recuperando percursos esquecidos, reinterpretando arquivos, questionando regimes de visibilidade e explorando práticas artísticas contemporâneas que desafiam hierarquias estabelecidas. A partir de diferentes contextos geográficos, temporais e disciplinares, os contributos abordam temas como o cinema, a memória, o exílio, a performance, a média-arte digital, o artivismo e a inteligência artificial, evidenciando o papel das mulheres na produção artística e na construção de formas alternativas de conhecimento.

Além das editoras convidadas, outras investigadoras do CIAC contribuíram com diversos trabalhos. Ana Isabel Soares, no artigo “Descobrir Marie Isabelle Canto da Maya: arquivo, ausência, presença”, propõe uma revisitação historiográfica do cinema português através da figura de Marie Isabelle Canto da Maya, cineasta, fotógrafa, atriz e escritora cuja obra permanece quase desconhecida.

A dimensão da prática artística enquanto produção de conhecimento crítico atravessa o artigo de Juliana Wexel,“CyberPerformanCity: um recurso metodológico experimental para processos criativos de média-arte digital, artes performativas e espaço urbano”. O artigo evidencia o potencial das metodologias autorais para a criação artística contemporânea, integrando uma perspetiva feminista, tecnológica e performativa sobre a ocupação dos espaços físicos e digitais.

Ana Gavina, em “Representações feministas em arte digital: Beatriz Albuquerque e Mónica de Miranda”, analisa as obras das artistas portuguesas, refletindo sobre o modo como as práticas artísticas digitais feministas desafiam regimes de visibilidade, autoria e legitimação.

Por último, o projeto in/visibilidades no feminino, de Célia Palma e Isabel Carvalho, explora a relação entre média-arte digital, artivismo e Inteligência Artificial Generativa, propondo a prática artística como espaço de reinscrição simbólica de memórias e narrativas femininas historicamente marginalizadas.

A edição conta também com o artigo “‘La piba que tocaba’: mujer, arte y exilio republicano español en Argentina”, da investigadora da Universidad Nacional de La Plata e do CONICET, Mariela Sánchez, em que recupera os percursos femininos esquecidos da artista espanhola María Victoria Iniesta. Além deste, Giovanna de Campos, em “O filme ensaio como pensamento poético: um estudo sobre Las Poetas visitan a Juana Bignozzi”, desloca a reflexão histórica para o campo do cinema ensaístico, analisando o filme argentino Las poetas visitan a Juana Bignozzi (de Laura Cittarela e Mercedes Halfon, estreado em 2019).

O volume completo da revista pode ser encontrado (aqui).

Esta publicação também está disponível em: Inglês